
Os dois seqüestradores pareciam irritados com o Guaipeca. Começaram a cochichar, o que deixava o virgem mijão mais apavorado. E assim ele chorava mais ainda. Que marreca.
Então a moça do 50 olhou para trás e disse decidida:
- Me passa tua carteira, idiota.
Guaipeca se atrapalhou um pouco para tirá-la do bolso, deixando a moça mais impaciente do que já estava. Até que ele conseguiu.
- Toma. - disse ele
- Me da aqui essa porcaria. - brandou a moça.
Enquanto Dois por Dois seguia dirigindo por ruas escuras a guria ia revirando a carteira do Guaipeca. Dentro tinha apenas um cartão de banco, uma nota de cinco reais rasgada e uma camisinha, que pelo estado já devia estar lá a muito tempo.
A garota pegou apenas o dinheiro e jogou a carteira de volta para o banco de trás, dando uma ordem para o dois por dois
- Para o carro perto daquela lixeira.
- Pra que? - perguntou o Dois por Dois.
- Vamos jogar esse mané fora. - respondeu a mina.
Finalmente alguém achou o lugar ideal para o Guaipeca. Uma lixeira só pra ele.
Então Dois por Dois parou o carro ao lado da lixeira, a moça olhou para o Guaipeca apavorado e

decretou:
- Tira a roupa.
O virgenzinho, todo apavorado tirou tudo, menos a cueca. A guria olhou pra ele e falou com ar de ditadora:
- A cueca também. Fica pelado.
- Mas tá chovendo. E tá frio também. - falou o Guaipeca.
- Cala a boca e tira essa cueca imunda. - gritou ela.
Não demorou dois segundos para o Guaipeca tirar a cueca e jogar para a moça. A cueca era de um cinza nojento com uma tremenda freada de bicicleta. Um horror. Foi que a mina cinqüenta fez um bolo com a roupa e jogou pela janela, caindo tudo junto aos sacos de lixo dentro da lixeira. Eu podia jurar que ela ia atirar o marreca lá dentro.
Então a moça pediu para Dois por Dois andar mais algumas quadras. E o Guaipeca com suas vergonhas amostra no banco de trás do Golf envenenado. Até que a moça falou:
- Dois por Dois. Para na frente daquele poste de luz.
Eles estavam em uma avenida larga, uma das mais movimentadas da cidade durante o dia, mas na noite ela era mortinha. Com essa chuva que caia então, ninguém estava na rua.
Foi que o Dois por Dois parou o carro em frente a casa branca. A guria olhou para o Guaipeca e falou:
- Desce.
- Descer!? - perguntou o Guaipeca.
- A fimose ta te deixando surdo, animal. Eu disse pra ti descer. - falou a guria irritada.
- Mas ta frio. Ta chovendo. Eu vou ficar doente. - choramingou o Guaipeca.
Foi que o Dois por Dois olhou para trás com um ar de pena e disse:
- É melhor descer. Tu não sabe o que ela faz quando é contrariada.
Guaipeca não pensou muito. Abriu a porta do carro e desceu. Ficou peladão na chuva. Deu até pena agora. Que situação.
Ele bateu a porta e viu a mina do 50 abrir a janela. Ela havia tirado a camiseta com o 50 e estava com os peitos a mostra. Que peitos. Uma maravilha. Com os faróis apontando para cima. Ai, ai...
Continuando, ela olhou para o Guaipeca e atirou a camiseta com o número 50 na cara dele e disse:
- Toma aí, virgenzinho. Se tapa com isso.
Foi então que o Dois por Dois arrancou o Golf e deixou o Guaipeca lá. Pelo menos agora ele não ia ficar peladão. Tinha uma camiseta. Pena que ele não era tão esperto. Ao invés de tapar suas partes íntimas com a camiseta, resolveu vesti-la. Uma baby-look no donzelo. Como tem esperto nesse mundo.

Aquela rua vazia, chuva caindo e um maluco só de baby-look com as mãos tampando sua fimose. Foi então que Guaipeca começou a ouvir um barulho de moto. Na verdade, uma gareli. Quem tem gareli hoje? Só o Largatixa. Ele olhou para o longe e avistou aquela magrelinha vindo distante em plena chuva. Mas parecia que não vinha sozinho, tinha alguém na gareli com ele. Era aquela loirinha de aparelhos que o Larga estava trovando na festa. Tava levando ela pra dar uma faturada em casa. Como era feinha a coitada.
Chegando perto o Guaipeca começou a acenar como louco para chamar a atenção do Largatixa, que foi desacelerando a gareli até parar na frente do virgem pelado.
- Larga, me salva, cara. - falou Guaipeca.
- Vai te catar, meu. Quer estragar minha noite. Tu já te divertiu. Agora é minha vez. - reclamou o Largatixa ensopado pela chuva.
- Meu, tu não ta entendendo. To aqui pelado. Jogaram fora minhas roupas. - choramingou o fimose.
- Vai te catar. Não me levou na outra festa. Vai aprender o que é parceria. - brandou Larga, que acelerou a gareli e deixou o Guaipeca falando sozinho.
Guaipeca soltou um grito de pavor e sentou no meio fio. Ficou ali até clarear o dia e os brigadianos chegarem e o levarem preso. Ficou um dia na cadeia pra aprender a se vestir quando sai na rua. Que merda, hein.
Depois disso o Guaipeca voltou a sua normalidade. Continua virgem, cursando Direito, fazendo besteiras e vivendo da mesada dos pais.
E a mina do 50? Ela foi vista na semana passada com uma camiseta com o número 51. Quem será o número 51? Pelo menos achará uma boa idéia.